Buscar psicoterapia ainda é um passo de coragem, que nem todos se arriscam a dar. Muitas pessoas em sofrimento não consideram fazer terapia, por N razões descabidas, e tentam resolver suas angústias das mais variadas formas. Acabam não resolvendo e às vezes conseguem mais problemas ainda.

Umas vão às compras (e se endividam, trazendo sofrimento mental para si e para a família) e outras pros bares (dependendo das circunstâncias, podem acabar desenvolvendo dependência química, se tiverem histórico familiar).

Algumas buscam alternativas aparentemente mais saudáveis (esportes, viagens, estudos), enquanto, no fundo, tentam fugir do que dói.

Mas por que tanto medo de fazer terapia? Há muito preconceito, há quem pense que terapia é coisa de gente louca, sem amigos, sem Deus no coração e vão adiando até um ponto em que a vida fique insuportável.

Crenças erradas sobre o que é terapia, muitas vezes, escondem o medo. Medo inclusive de ser feliz. Quando se encaram os problemas, podem aparecer chances de resolvê-los – mas, para isto, é preciso assumir a sua responsabilidade.

Confinamento: parada para reflexão

Desde março de 2020, quando o coronavírus chegou ao Brasil, as autoridades de saúde recomendam o isolamento social. Então, meio que à força, muita gente que não parava para analisar seus problemas teve de enfim encará-los: medo da solidão, medo da morte, medo do desemprego, revisão dos valores com que se comprometeu.

Aumentaram as queixas de ansiedade e depressão. Também aumentaram os relatos de violência doméstica.

Fazer terapia ajuda neste momento. Mas, como fazer terapia, se a ordem é #fiqueemcasa ?

O Conselho Federal de Psicologia autorizou que profissionais devidamente registrados ofereçam terapia online. Foi uma atitude de flexibilidade que, mais do que nunca, precisamos ter.

E por que, neste momento, precisamos ser mais flexíveis? Desde Darwin se sabe que sobrevivem os que melhor se adaptam. Então, por mais que a presença física seja importante, a tecnologia possibilita, neste momento, que não fiquemos totalmente isolados. Dá a possibilidade de sermos ouvidos – e nós, seres humanos, precisamos da conexão. Se a física está impedida, ao menos digital pode acontecer.

Terapia é o espaço de se ouvir, de suspender os julgamentos.

É importante ter alguém que ouça você, sem julgar. Entrar em contato com suas emoções evita que elas explodam no seu corpo, em forma de doenças. Muitos clientes contam, ao chegar, que consultaram vários médicos, pesquisando causas orgânicas para sua doença até, enfim, aceitarem que a sua doença surgiu porque a mente não está bem.

Carl Rogers, psicólogo americano, descreveu muito bem como faz bem ser ouvido, com empatia:

Gosto de ser ouvido. Algumas vezes, em minha vida, tive a impressão de estar sendo esmagado por problemas insolúveis, ou então de girar em torno do mesmo ponto, em círculos infernais. Durante certo período, arrasado por sentimentos de indignidade e desespero, tinha até a certeza de descambar para a doença mental. Acho que fui mais feliz do que os outros, por ter encontrado, nesses momentos, pessoas que foram capazes de me ouvir e me livrar do caos de meus sentimentos. Tive a sorte de encontrar pessoas que puderam me entender, mais profundamente que Eu mesmo, o sentido do que Eu dizia. Escutaram-me sem me julgar, sem fazer diagnóstico a meu respeito, nem me apreciar, nem me avaliar. Simplesmente me escutaram, esclareceram o que eu dizia e me responderam em todos os níveis em que eu tentava me comunicar.

Posso lhe garantir que, quando você se acha num desnorteamento psíquico e alguém o escuta realmente, sem julgar você, isso faz um bem danado. A cada vez, isso relaxou a tensão que existia em mim, me permitindo exprimir os sentimentos mais assustadores de culpa, de desespero, as confusões em que me encontrava. Quando sou ouvido e entendido, torno-me capaz de ir em frente. É espantoso constatar que sentimentos que eram totalmente assustadores tornam-se suportáveis assim que alguém escuta você. É incrível ver que problemas que parecem impossíveis de resolver tornam-se de solução possível quando alguém nos ouve e que situações que parecem irremediavelmente confusas, de súbito se esclarecem quando alguém nos compreende.

A terapia é, pois, uma necessidade e não um luxo. Deveria ser considerada um autocuidado básico – tanto quanto atividades físicas, dieta adequada e sono. Neste momento de pandemia, ainda mais.

Acreditando na possibilidade de ajudar as pessoas a lidarem com o sofrimento, escolhi a Psicologia como profissão. Neste espaço virtual escreverei sobre saúde mental para esclarecer para o público leigo, que quer entender melhor a sua própria mente. Não com linguagem acadêmica e sim de maneira mais fluida.

Os gregos já apontavam a relação corpo e mente, que não se separam. Mens sana in corpore sano. Cuidando da sua mente, sua saúde física será beneficiada.

Temas da Espaço Psi-Saúde

Atualmente, os temas que mais me interessam sobre saúde mental são a ansiedade, nas suas mais variadas formas, depressão, atenção e memória. Navegando pelo site você já encontra vários posts sobre o assunto, que é um problema crescente na nossa sociedade.

O uso abusivo da tecnologia também encontra bastante espaço aqui no blog, por causa da série de problemas que aparecem no consultório. Causam transtornos psíquicos, trazem problemas para os relacionamentos amorosos e familiares, pioram também a saúde física – com o sedentarismo. As redes sociais têm se revelado particularmente problemáticas para crianças e adolescentes.

Mas, a flexibilidade – psicológica e cognitiva – é uma das condições de saúde mental. No auge da crise do covid19, a tecnologia é um recurso importante para cuidarmos dos nossos vínculos afetivos. Continuamos conectados com as pessoas importantes de nossas vidas, mantemos nosso trabalho – e até exercitamos – graças à internet.

Relacionamentos amorosos nos dias de hoje

Desde a graduação, a psicologia do amor atrai a minha atenção, tendo sido tema de estudo no meu Mestrado na Puc-Rio, na linha de Família e Casais. Durante o Mestrado, estudei o impacto da cultura de massa nos relacionamentos amorosos.

O interesse prossegue, incluindo também a sexualidade humana em sua diversidade – como a bissexualidade, pouco reconhecida ainda como orientação sexual legítima, por causa da bifobia. Pode ser surpreendente, mas este preconceito vem não só dos héteros e dos homossexuais: muitos bissexuais que entrevistei também acham difícil entender ou aceitar sua orientação sexual.

A tecnologia digital traz novos desafios para os estudiosos dos relacionamentos amorosos e muitos posts são encontrados aqui.

Atualmente, como terapeuta de casais, integro algumas abordagens como Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia do Esquema e Terapia Cognitivo-Comportamental.

Meditação e a saúde mental

Outro tema com bastante destaque aqui é a meditação – do tipo mindfulness ou não. Pelos inúmeros benefícios que trazem as práticas de meditação, profissionais da área de saúde têm indicado cada vez mais. A prática da meditação contribui para a regulação emocional, tão necessária para bons relacionamentos pessoais e também para o sucesso profissional.

A meditação é um grande auxiliar da psicoterapia e pode até ser também um recurso a ser usado durante a sessão.

Muitas pessoas resistem a começar a prática, sem saber do que se trata na verdade. Neste blog você encontrará vários links sobre o assunto – e talvez o estímulo necessário para aprender a meditar.

As artes como auxiliares na psicoterapia

Muitos destes temas serão abordados através da análise de filmes, séries ou músicas. Alguns exemplos: o filme Divertida Mente, a música Nada tanto assim, a série Crazy Ex-Girlfriend. As várias formas de arte nos possibilitam reconhecer problemas que, às vezes, não enxergamos em nós – e por isto seguem sem solução.

Sugestões de temas para textos serão bem vindas, convido você a participar ativamente.

Atendimento de psicoterapia

Saiba mais sobre meu trabalho. Estou no InstagramYouTube, Facebook, Twitter e no LinkedIn. Em breve, uma newsletter para você. Cadastre seu e-mail.

Thays Babo (CRP 05/23827) é  Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP).

Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial . Durante a pandemia, apenas atendimento on-line

Terapia: mais do que nunca, você precisa deste cuidado (atualizado em 02.abr.2020)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.