Acreditava-se que a tecnologia iria liberar nosso tempo para atividades mais prazerosas. Algumas atividades foram extintas, mas continuamos trabalhando muito. A tecnologia digital trouxe a internet e daí vieram redes sociais e aplicativos. Você consegue gerenciar seu tempo online?
É preciso ter muita atenção. Mídias digitais roubam seu tempo. Obviamente, o tempo que você passa online tem um custo.
É inegável que a tecnologia digital trouxe coisas boas e positivas mas não se pode negar os prejuízos. Estes podem ser minimizados, mas não zerados.
(Este texto foi atualizado por conta da pandemia e também pela repercussão do filme O Dilema das Redes)
Por que o tempo encolheu?
Não, na prática, não encolheu. Mas os estímulos aumentaram tanto que fica cada vez mais difícil desconectar. Principalmente do smartphone.
Além disto, podemos ser encontrados 24 horas por dia. Se não dermos limites, se não desconectarmos, trabalhamos mais do que devemos. Ou nos distraímos demais com coisas que, no final das contas, nem valem a pena.
Precisamos saber como nos dar limites para proteger nossa saúde física e mental. É importante desconectar.
As redes sociais
As redes sociais distraem você. Sendo tão divertidas e informativas, você estende o tempo online. É prazer imediato, “dopamina fácil”.
O prazer pode vir por reencontrar amigos e parentes com quem se tinha perdido contato. Ou, mais frequente, por receber um “like” – mesmo que de pessoas desconhecidas ou distantes.
A médio e longo prazo, porém, seu bem estar pessoal pode diminuir. Tanto porque você não atinge seus objetivos como porque também fica assistindo a vida dos outros. E se você não recebe tantas visualizações, não necessariamente o seu conteúdo não é bom. Ele simplesmente não agradou o algoritmo.
Mas o algoritmo sempre muda, fazendo com que os criadores de conteúdo se esforcem mais para agradá-lo. E assim vendem-se muitos cursos e horas são disperdiçadas assistindo a algo que mudará em breve.
Tudo é planejado para que seja assim. Existem programadores e designers que tornam este apelo quase irresistível. Assim, cada vez mais estamos viciados no que o mundo digital apresenta. Então você precisa aprender a quebrar este ciclo de rolar a tela infinitamente.
A tecnologia digital e sua vida amorosa
O uso excessivo de tecnologia, em especial do celular, pode afastar você do que é mais valioso na sua vida. Pode prejudicar as suas relações amorosas, profissionais e familiares. Pode fazer você não cumprir prazos e nem atingir os seus objetivos. É bom se perguntar para quê você passa tanto tempo online, se você não trabalha na área digital.
Na terapia individual e em terapia de casal, o smartphone surge como queixa se o par amoroso fica muito tempo com o dispositivo. A outra pessoa se sente deixada de lado, abandonada. As tarefas se acumulam. As pessoas se afastam.
Passa-se menos tempo interagindo – olho no olho ou mesmo dedicando tempo ao toque e à sexualidade. Também se diminui o tempo dedicado à educação das crianças e isto tem também consequências na saúde mental familiar. E consequentemente nas despesas com tratamentos para ansiedade e depressão.
Mais vida virtual, menos sexo real
Pesquisas relatam que as novas gerações têm tido menos relações sexuais do que as anteriores. O consumo de pornografia online aumentou – o que pode trazer disfunções sexuais, menos prazer. As relações amorosas estão cada vez mais instáveis.
Casais precisam reaprender o toque, estar juntos no mesmo local e se olhar. A intimidade está sendo perdida. A tecnologia parece se interpor entre os casais. Surpreende o número de casais que coabitam mas não têm relações sexuais – ou estas são muito esporádicas.
São inúmeras as razões – mas nenhuma que seja positiva. E algumas são decorrentes do uso da tecnologia.

Dicas para minimizar o tempo online
Consultores de tecnologia apontam dicas para que se minimizem os problemas mentais, principalmente entre os jovens.
Uma delas pode parecer radical: deletar os aplicativos do celular. No smarthphone é muito fácil você perder o controle do seu tempo.
Depois da pandemia tudo piorou
Durante a pandemia, a ordem era ficar em casa. Então, graças à internet, passou-se ao homeoffice. A internet facilitou a nossa sobrevivência. Era a nossa forma de nos mantermos informados, não ficarmos totalmente isolados e afastados das pessoas queridas.
Porém, qual a medida? O quanto a vida vai poder voltar a ser o normal e nos deixar mais offline? O quanto o vício aumentou?
Como hoje você passa o seu tempo de lazer? Você desconecta e vai ler, estudar, caminhar, meditar? Ou fica grudado(a) na tela?
Recentemente, o filme O Dilema das Redes mostrou que a tecnologia também é feita de forma a ser viciante. Desde a programação ao design dos smartphones. Assim, fica muito mais difícil de desconectar.
Nomofobia
Desligar o celular dispara ansiedade. Já foi classificado um transtorno conhecido como nomofobia (no mobile phobia). Outra fobia tem a ver com o FOMO (fear of missing out) – ou seja, medo de perder alguma informação relevante e “ficar pra trás”.
Durante a pandemia, as fake news abundaram. Gastava-se mais tempo ainda online, checando informações. Não é à toa que a dificuldade de reduzir o tempo online aumentou. Quanto mais se navega mais se está exposto(a) às ferramentas usadas para ficar adito.
Prejuízos do excesso de tempo online
Cuidado. Tempo demais online pode afastar você das pessoas que estão próximas. Crianças sofrem demais com a falta de atenção e o tempo que lhes foi roubado.
Também é importante reservar tempo para atividades ao ar livre, para os exercícios físicos. O sedentarismo gera uma epidemia de obesidade.
Além disto, há os seus objetivos profissionais ou acadêmicos. Se você não os atinge, pode vir a acreditar que não tem capacidade. Alguns esquemas como de defectividade e fracasso podem ser ativados, por razões que não são verdadeiras.
Como tratar
A psicoterapia pode ajudar você, se você já percebeu que está se prejudicando com o excesso de uso digital.
Mas, para o processo dar certo, é preciso autoconsciência aliada à autodisciplina para se manter o mínimo de tempo online.
E também autocompaixão, já que sabemos que há profissionais envolvidos em manter você hipnotizado(a) com as telas. Mas se você sente que desperdiça tempo precioso online, só se distraindo, procure ajuda psicológica.
Entenda por que e para que você faz isto.
Ficando consciente será mais fácil modificar o seu comportamento. E, assim, ir na direção do que você é valioso pra você.
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Thays Babo é Psicóloga Clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) , em Terapia do Esquema, em Terapia de Casal nas Abordagens Contextuais e tem extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP).
Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial online.
