Talvez você tenha começado a ler este texto, por curiosidade, imaginando que haja realmente uma abordagem psicoterapêutica ótima, que dê conta de todas as queixas, atendendo bem igualmente todas as pessoas. Não, não há. Mas, então, como se escolhe um/a psicólogo?

É muito bom ter uma indicação – vinda de outro profissional ou de alguém que já faça terapia com o/a profissional em questão.  Mas a relação psicoterapêutica dependerá da relação pessoal entre quem atende e quem é atendido.  Por isto, o primeiro passo é marcar a entrevista inicial, para conhecer o/a psi, antes de se comprometer com o tratamento. A empatia será fundamental para que o vínculo se estabeleça e a  a psicoterapia possa efetivamente começar.

O processo psicoterápico pode não ser  fácil, pois tocará em pontos sensíveis da história pessoal – tanto ao investigar o passado quanto ao levantar expectativas, projetos e possibilidades.  Por isto é importante se sentir à vontade para se expor, falar de si, sem se esconder . A psicoterapia é o lugar de se revelar e se autodescobrir. Na entrevista – que pode ser mais de uma, inclusive -,  o/a  psicoterapeuta levantará dados importantes, fazendo uma anamnese. tentando entender o que causou a procura pela terapia. Muitos irão explicar a forma de trabalho, a abordagem e estabelecerão  o contrato terapêutico (em geral, verbal), que é o acordo sobre  horário, faltas, pagamento, dentre outros assuntos. Assim, pode-se ter uma ideia de como será o compromisso e como se engajar no processo.  

Segundo vários psis, o sucesso da psicoterapia não depende  da abordagem.  Irvin Yalom, por exemplo, psiquiatra e psicoterapeuta existencialista,  defende a ideia de que o  que “cura” na psicoterapia, mais do que a abordagem teórica, é a relação. Assim, a qualificação do/a profissional,  tempo de treinamento e  experiência clínica,  embasamento teórico são muito importantes porém  características pessoais e a empatia entre cliente e terapeuta  fazem a diferença, indo além do manejo das técnicas e o domínio da teoria. Para Yalom,  “cura” é o processo de mudança e transformação e ele não hesita em fazer auto-revelações, tornando-se mais próximo. Recentemente, Jeff Young, criador da Terapia de Esquema, em depoimento em um Simpósio, falou basicamente o mesmo: estar disponível para o/a cliente pode ajudar muito no processo. Assim, cada vez mais profissionais, das mais diversas abordagens, concordam que  a qualidade de relação terapeuta-cliente fará a diferença. 

Vencendo as barreiras iniciais

Começar a fazer psicoterapia ainda é um ato de coragem, cercado de preconceito – muitas vezes de quem procura, que adia até atingir um extremo sofrimento mental. Por isto, é excelente quando pessoas bem sucedidas ou famosas vêm a público testemunhar a favor da importância da terapia, servindo de estímulo para outras, anônimas. 

Há quem inicie psicoterapia sem contar para ninguém: nem para o par amoroso, nem para as pessoas amigas próximas, para pai ou mãe e também não para filhos e filhas, independente da idade. Por pura  vergonha. Mitos acerca da psicoterapia afastam quem poderia (e deveria fazer). Destacam-se: o medo de serem consideradas loucas;  a ideia de que é cara;  vergonha de se revelar para o/a psi.

A representação da terapia nas artes também costuma ser negativa, aparecendo muitas vezes em contextos cômicos, o que não facilita a superação do preconceito. 

Honorários

Muitas pessoas consideram que psicoterapia é sempre caríssima. Mas há várias alternativas: nas faculdades com o curso de Psicologia existe o Serviço de Psicologia Aplicada. E cursos de pós também costumam oferecer horários para terapia. Existem opções de tratamento mais acessíveis: nas faculdades de Psicologia, nos hospitais públicos e muitos cursos de formação que oferecem a “clínica social”, com valores mais flexíveis, dependendo da renda. A maioria dos convênios também credencia profissionais de psicologia  mas, devido à grande demanda,  não costumam ter muitos horários disponíveis ou fazem sessões muito curtas. 

Alguns planos de saúde e empresas dão a opção de reembolso, precisando, no entanto,  do encaminhamento de um/a médico/a, geralmente psiquiatra, que emitirá um  laudo , cujo vocabulário pode ser angustiante – em especial pelos códigos de doença. Cabe aos profissionais envolvidos explicarem seu significado. 

Uma informação importante: a psicoterapia pode ser descontada no imposto de renda.  

E como avaliar se a psicoterapia está sendo bem conduzida? A revista americana  Psychology Today listou 10 características que todas as boas terapias devem ter, independente da abordagem teórica. São elas:

  1. Não ser uma boa “amizade” – o vínculo psicoterapeuta-cliente não pode ser igual ao que se tem com amigos; 
  2. Ser baseada em evidências;
  3.  Afirmar a dignidade e o valor humano básico do/a cliente.
  4. Encorajar e modelar o feedback e a comunicação precisos, honestos e oportunos.
  5. Estabelecer boa aliança entre terapeuta e cliente
  6. Estimular a independência e a competência do/a cliente.
  7. Considerar a história e a biografia do/a cliente.
  8. Levar em consideração a experiência subjetiva do/a cliente e seu mundo interior.
  9. Trabalhar de forma que o/a cliente se engaje e faça sua parte no processo
  10. Boa terapia deve oferecer apoio, requer aprendizado e facilita a ação.

Tipos de terapia

Além das várias abordagens psicológicas, há várias modalidades: psicoterapia individual, terapia de família ou de casal – que também pode ser pré-matrimonial. Mas, para todas as modalidades, a empatia e o vínculo são  fatores decisivos para o engajamento e sucesso do processo psicoterápico.  Por isto, dê-se ao direito de fazer uma ou mais entrevista antes de realmente assumir um compromisso que precisa de constância e frequência para dar bom resultado. 

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Thays Babo é psicóloga clínica, Mestre pela Puc-Rio, com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo CPAF-RIO e extensão em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pelo IPq (USP). Atende a jovens e adultos em terapia individual, de casal e pré-matrimonial,  em Copacabana.

 
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